terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Farroupilha

Essa não é a história de uma cidade. Por outro lado, talvez consiga descrever uma boa parte de minha própria história.
Não é tarefa fácil compilar ou sintetizar anos de fatos e talvez nem seja esse meu objetivo; não venho listar feitos ou acontecimentos.
Nasci em Caxias do Sul, uma cidade com quase meio milhão de habitantes.
O mundo foi dando voltas e voltas, e aos 15 de março de 2006, quase com 23 de idade, eis que me via, inesperadamente, trabalhando em Farroupilha, cidade esta que, até então, me era muito pouco familiar, pois havia estado ali somente uma vez, alguns anos antes, participando de um campeonato de Taekwondo.
Não conhecia absolutamente ninguém deste município... além do mais ele tinha quase 10 vezes menos habitantes do que Caxias, mesmo.
Um cenário a menos de 30 quilômetros longe da minha zona de conforto e, ao mesmo tempo, tão culturalmente distante e distinto.
Acredito que um lugar, por si só, vai ser ser sempre apenas um amontoado de paisagens e seus habitantes.
E foram justamente as pessoas que me chamaram mais a atenção. E admito que, mais do que da cidade, gostaria de falar de seu povo e de como essa relação com ele me modificou - para melhor.
Esse lugar e essa gente apareceram num momento de grande transição prá mim.
Eu tinha acabado de dar um novo rumo ao meu destino: trocado de curso na universidade e estava decidido a me tornar um professor.
Não sei, alguma coisa me dizia que era isso que eu deveria fazer, mesmo que eu não soubesse ao certo por onde começar nem a quem recorrer. Mas ter passado um tempo em um outro país antes disso acontecer me fez enxergar tudo aquilo que não conseguia perceber antes.
Enfim, o deslocamento tão difícil e o investimento de tempo foram os preços cobrados à vista.
No final das contas, eu não me importava muito com essas circunstâncias, uma vez que, estando lá, aquele lugar também parecia um pouco meu.
São incontáveis os nomes de quem acabei conhecendo mas alguns serão prá sempre inesquecíveis porque me mostraram que eu poderia ser feliz se eu continuasse com o que mais gostava de fazer: ensinar.
Fiz amizades em um tempo em que, por muitas vezes, toda a minha vontade era parar de acreditar nas pessoas, desisitir de confiar.
Foi um somatório de coisas mas eu me sentia acolhido e respeitado por todos.
Esse lugar e muitas pessoas que conheci constituem grande parte de minhas melhores recordações.
Depois de 5 anos passando mais tempo lá do que em Caxias, todos os dias, todas as semanas, todos os meses, já é difícil dizer de onde sou.
Seria medíocre demais da minha parte simplesmente não agradecer a nada ou a ninguém por tudo isso.
Hoje, no auge dos meus quase 28, me sinto disposto e preparado para alçar outros vôos mas não estaria se não tivesse tido as chances que tive, o auxílio que me foi prestado e o carinho que recebi.
Mas isso é somente um recorte do que eu vejo quando páro prá avaliar esse tempo...
Fecho os olhos, revivo todos os rostos e as vozes dos que me importam, me sinto contente e sorrio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário