Spinoza (me referindo ao filósofo holandês Baruch Spinoza, que viveu de 1632 a 1677), foi o primeiro a aplicar o que se chama de interpretação "histórico-crítica" da Bíblia, ou seja, contestava o fato de que cada palavra da Bíblia fosse inspirada por Deus.
À medida em que ‘as coisas foram piorando’ para Spinoza em decorrência de suas atitudes (considerando-se a influência da Igreja na época e local), este foi abandonado até por seus próprios familiares, que queriam deserdá-lo por causa de sua heresia.
As muitas resistências que ele teve de vencer levaram-no, finalmente, a se recolher a uma vida discreta, modesta e totalmente dedicada à filosofia. Ele ganhava o seu pão polindo lentes ópticas.
O fato de ele viver de polir lentes ópticas tem um significado quase simbólico. É que a tarefa dos filósofos é justamente ajudar as pessoas a verem sua vida sob uma nova perspectiva.
Estes dados foram retirados do livro "O Mundo de Sofia", escrito por um norueguês bem mais contemporâneo do que Spinoza chamado Jostein Gaarder, nascido em 1952 e que, felizmente, ainda vive.
Ao final da leitura deste livro, foram justamente a vida e os feitos de Spinoza que devam ter chamado mais a minha atenção dentre todo o percurso histórico-filosófico pelo qual passei.
Desejo que as pessoas tentassem “polir as suas lentes”, num sentido metafórico da expressão, é claro, e tentassem rever seus conceitos sobre o que consideram ser... um herói, por exemplo. (Sim, contei toda a história de antes apenas com este propósito: para que, talvez, o termo “polir as lentes” ganhasse uma roupagem melhor do que seu entendimento por senso comum).
O Dicionário Escolar da Língua Portuguesa de Francisco da Silveira Bueno, em sua edição de 1975, define o vocábulo ‘herói’ como um “homem extraordinário pelas suas proezas guerreiras, pelo seu valor ou magnanimidade”.
Serve como referência semântica, sem dúvida... mas se perguntassem a mim, o que eu acho que seja um herói, certamente responderia que é “alguém que, em vida, ou mesmo após sua morte, deixa algum legado para a humanidade; alguém atemporal, ou seja, cujas palavras, atitudes e cuja própria vida transcenda o tempo e a geografia; e, claro, alguém que admiremos, por um ou diversos aspectos e que, de certa forma, o tenhamos como referencial para guiar nossas próprias condutas”.
Mesmo que, muito provavelmente, quase todos os “meus heróis tenham morrido de overdose”, tomando a liberdade de parafrasear Cazuza (em sua canção ‘Ideologia’, de 1988), sem sombra de dúvida, suas vidas deixaram este legado ao qual me refiro às futuras gerações.
Nesta mesma data, 19 de janeiro, há exatos 30 anos atrás, o mundo se despediu de um deles. Em uma versão feminina... uma heroína, na verdade.
Elis Regina Carvalho Costa, nascida em Porto Alegre, me fez pensar sobre os heróis!
A melodia e o conteúdo poético de suas canções são exemplos claros de um legado deixado no mundo da música; são em minha humilde opinião, uma herança a todos os que possuírem refino intelectual.
Alguém que não queria nos “falar das coisas que aprendeu nos discos” e sim, nos “contar como viveu e tudo o que aconteceu consigo”. Acredito que a mesma simplicidade de sua vida, os mesmos conflitos e as mesmas esperanças façam parte da vida de todo ser humano que se preze e ela usou sua arte prá fazer com que todos entendam e convivam com as alegrias e os desesperos humanos ou talvez que possam, ao menos, refletir sobre eles e, só por isso, considero válido tudo o que ela tenha conseguido fazer e cantar em seus 25 anos de carreira.
Discordo que os heróis sejam cada um de nós, por nossas conquistas diárias, pela coragem que cada ser tenha de enfrentar o dia-a-dia... os heróis precisam ser pessoas acima da mediania, não podem ser pessoas comuns pois dessa forma, não seriam heróis!
E só no segmento música, uma de minhas formas de expressão de arte favoritas, poderia citar tantos outros considerados heróis pelas mesmas razões (tenho medo de esquecer de alguém e fazer injustiça portanto, neste momento, darei o privilégio da citação somente à Elis).
Resgatei Spinoza da Holanda do século XVII passando pelo Gaarder da Noruega e acabei no Brasil para que, num movimento quase de desespero, essas palavras consigam revelar os verdadeiros heróis às pessoas de nosso país e que essa reflexão faça justiça à quem mereça. Não consigo ser conivente com a parte de toda uma nação que glorifica, endeusa e venera oportunistas que cantam refrões vazios e que, bem no fundo, só acho que façam apologia à nada, a uma grande quantidade de nada.
Pelo menos ao meu redor, tenho um compromisso ético de ajudar a polir as lentes dos que sejam impossibilitados de fazê-lo por si só afinal de contas, não é isso que um educador deve se propôr a fazer?
“Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.
À medida em que ‘as coisas foram piorando’ para Spinoza em decorrência de suas atitudes (considerando-se a influência da Igreja na época e local), este foi abandonado até por seus próprios familiares, que queriam deserdá-lo por causa de sua heresia.
As muitas resistências que ele teve de vencer levaram-no, finalmente, a se recolher a uma vida discreta, modesta e totalmente dedicada à filosofia. Ele ganhava o seu pão polindo lentes ópticas.
O fato de ele viver de polir lentes ópticas tem um significado quase simbólico. É que a tarefa dos filósofos é justamente ajudar as pessoas a verem sua vida sob uma nova perspectiva.
Estes dados foram retirados do livro "O Mundo de Sofia", escrito por um norueguês bem mais contemporâneo do que Spinoza chamado Jostein Gaarder, nascido em 1952 e que, felizmente, ainda vive.
Ao final da leitura deste livro, foram justamente a vida e os feitos de Spinoza que devam ter chamado mais a minha atenção dentre todo o percurso histórico-filosófico pelo qual passei.
Desejo que as pessoas tentassem “polir as suas lentes”, num sentido metafórico da expressão, é claro, e tentassem rever seus conceitos sobre o que consideram ser... um herói, por exemplo. (Sim, contei toda a história de antes apenas com este propósito: para que, talvez, o termo “polir as lentes” ganhasse uma roupagem melhor do que seu entendimento por senso comum).
O Dicionário Escolar da Língua Portuguesa de Francisco da Silveira Bueno, em sua edição de 1975, define o vocábulo ‘herói’ como um “homem extraordinário pelas suas proezas guerreiras, pelo seu valor ou magnanimidade”.
Serve como referência semântica, sem dúvida... mas se perguntassem a mim, o que eu acho que seja um herói, certamente responderia que é “alguém que, em vida, ou mesmo após sua morte, deixa algum legado para a humanidade; alguém atemporal, ou seja, cujas palavras, atitudes e cuja própria vida transcenda o tempo e a geografia; e, claro, alguém que admiremos, por um ou diversos aspectos e que, de certa forma, o tenhamos como referencial para guiar nossas próprias condutas”.
Mesmo que, muito provavelmente, quase todos os “meus heróis tenham morrido de overdose”, tomando a liberdade de parafrasear Cazuza (em sua canção ‘Ideologia’, de 1988), sem sombra de dúvida, suas vidas deixaram este legado ao qual me refiro às futuras gerações.
Nesta mesma data, 19 de janeiro, há exatos 30 anos atrás, o mundo se despediu de um deles. Em uma versão feminina... uma heroína, na verdade.
Elis Regina Carvalho Costa, nascida em Porto Alegre, me fez pensar sobre os heróis!
A melodia e o conteúdo poético de suas canções são exemplos claros de um legado deixado no mundo da música; são em minha humilde opinião, uma herança a todos os que possuírem refino intelectual.
Alguém que não queria nos “falar das coisas que aprendeu nos discos” e sim, nos “contar como viveu e tudo o que aconteceu consigo”. Acredito que a mesma simplicidade de sua vida, os mesmos conflitos e as mesmas esperanças façam parte da vida de todo ser humano que se preze e ela usou sua arte prá fazer com que todos entendam e convivam com as alegrias e os desesperos humanos ou talvez que possam, ao menos, refletir sobre eles e, só por isso, considero válido tudo o que ela tenha conseguido fazer e cantar em seus 25 anos de carreira.
Discordo que os heróis sejam cada um de nós, por nossas conquistas diárias, pela coragem que cada ser tenha de enfrentar o dia-a-dia... os heróis precisam ser pessoas acima da mediania, não podem ser pessoas comuns pois dessa forma, não seriam heróis!
E só no segmento música, uma de minhas formas de expressão de arte favoritas, poderia citar tantos outros considerados heróis pelas mesmas razões (tenho medo de esquecer de alguém e fazer injustiça portanto, neste momento, darei o privilégio da citação somente à Elis).
Resgatei Spinoza da Holanda do século XVII passando pelo Gaarder da Noruega e acabei no Brasil para que, num movimento quase de desespero, essas palavras consigam revelar os verdadeiros heróis às pessoas de nosso país e que essa reflexão faça justiça à quem mereça. Não consigo ser conivente com a parte de toda uma nação que glorifica, endeusa e venera oportunistas que cantam refrões vazios e que, bem no fundo, só acho que façam apologia à nada, a uma grande quantidade de nada.
Pelo menos ao meu redor, tenho um compromisso ético de ajudar a polir as lentes dos que sejam impossibilitados de fazê-lo por si só afinal de contas, não é isso que um educador deve se propôr a fazer?
“Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.